Ângulo, No 116 (2009)

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O rei dos lençóis

Olga Savary

Resumo


Olhar, olhava-o há anos. Vê-lo era veludo, que assim o chamavam. Veludo. Veludo Negro – ela repetia, incansável. Diziam-no sem vez na terra. Como, se era o Rei dos Lençóis? Era assim: diz-que, sofisticado, deitava em lençóis negros com mulheres brancas, em brancos com mulheres negras. Desejoso de contrastes aquele altivo talo de palmeira alta, os bagos vermelho-escuros explodindo na boca o vinho dos frutos do açaizeiro, a boca arroxeada, era puramente roxa, quase negra. Negra como a pele macia e negra de Veludo. [...]

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