Ângulo, No 116 (2009)

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Clarice Lispector: que mistérios tem Joãozinho

Siqueira Ailton

Resumo


Desde Perto do coração selvagem (1944), romance de estréia de Clarice Lispector, já percebemos o fascínio da escritora por animais. Sua obra inteira é povoada por bichos: “galinha-que-não-sabia-que-ia-morrer”, pintos, minhocas, baratas, cães, gato, vaca, tartaruga, búfalo, passarinhos, cavalo, macaco e até coelho pensante. Sua obra parece uma floresta de símbolos onde mora e transita, sussurra e translada uma diversidade de bichos, cada um com sua história, sua linguagem, seus mistérios e sua vida íntima. Por mais diferentes eles sejam, todos estão inseridos no ciclo de vida/morte da natureza, interligados pelos laços de família da espécie animal: são todos eles filhos da mãe-natureza, mas seres habitantes da linguagem escrita de Clarice que os cria. Isso imprime no coração da obra de Clarice Lispector as vozes ancestrais, sussurros da natureza, vozes do selvagem coração da vida.

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